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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

O herói invencível





É um deus verdadeiro, que não tem igual (...)
É um bravo que age com o seu braço
Um homem de ações que não tem igual
Quando o vemos lançar-se contra os bárbaros
Ou quando inicia o combate.
É alguém que submete, que penaliza as mãos
Para que os inimigos não possam dispor-se a lutar (...)

É um audaz quando enfrenta os orientais
A sua alegria é aprisionar os bárbaros
Agarra no escudo e pisa
Não repete o golpe, porque mata
Não há ninguém que possa afastar a sua seta
Ninguém que possa dobrar o seu arco
Os bárbaros fogem à sua frente
Como se estivessem diante do poder da grande deusa
Não se cansa de combater, nada poupa, nada permanece.



Poema egípcio em homenagem ao faraó  Amenemhat I

(Escrito durante o Médio Império – 2100 – 1580 a. C.)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Cantos da grande alegria do coração





A única, a bem amada, a sem igual,
A mais bela do mundo,
Olhem para ela, é semelhante à estrela brilhante do ano-novo,
No limiar de um belo ano.

Aquela na qual brilha a graça, de pele radiante,
A de olhos claros,
E dos lábios de doces palavras.
Jamais ela pronuncia uma palavra supérflua.

Ela, cujo pescoço é longo, cujo seio é luminoso,
Possui os cabelos de verdadeiro lápis-lazúli.
Seus braços suplantam o brilho do ouro,
Seus dedos são semelhantes aos cálices de lótus.

Aquela cujo dorso é lânguido e os quadris delgados,
Aquela cujas pernas sustentam sua beleza,
Aquela cujo andar é cheio de nobreza, assim que ela coloca os pés no chão.
Seu beijo arrebata meu coração.

Ela faz com que o pescoço de todos os homens
Se virem para admirá-la.
E cada um que ela saúda fica feliz.
Ele se sente o primeiro dos jovens.
Quando de sua casa ela sai,
Pensamos estar vendo aquela que é sem igual.

Sétimo poema dos Cantos da grande alegria do coração





Há sete dias que não vejo minha bem-amada.
O langor se abateu sobre mim.
Meu coração tornou-se pesado.
Esqueci até de viver.

Assim que os médicos vieram me ver,
Seus remédios não me curaram;
Os mágicos não encontraram encantamentos
Que descobrissem minha doença.

Mas se me disserem: “Olhe, aqui está ela”, isso me restituirá a vida.
Seu nome é o que me reconforta.
As idas e vindas de seus mensageiros
É o que prende meu coração à vida.

A bem-amada é melhor para mim do que os remédios,
Ela é para mim mais do que uma receita,
Sua vinda é meu amuleto,
Assim que a vejo, recupero a saúde.

Assim que ela abre os olhos, meu corpo se torna jovem.
Assim que ela fala, me torno forte.
Assim que a tomo nos braços, ela afasta de mim o mal.
E ela está longe de mim há sete dias.

Poema egípcio





Oh, tu, o mais belo dos homens!
Meu desejo é velar por teus bens
Como dona da casa,
Que teu braço cubra o meu braço
E meu amor te cumule.
Eu confio ao meu coração
Um desejo de amante:
Que eu possa tê-lo esta noite por esposo!
Sem ele sou apenas um ente na tumba,
Pois não és a saúde e a vida?

Poema de amor





Negra é a sua cabeleira, mais negra do que o escuro da noite, mais negra do que a baga do abrunheiro-silvestre. 

Vermelhos os seus lábios, mais vermelhos do que grãos de vermelho, mais do que tâmaras maduras.

 Os seus dois seios estão bem plantados no seu peito.





Um texto gravado numa das estelas fronteiriças de Amarna nos dá esta admirável descrição de Nefertiti:


Clara de rosto,

Alegremente ornada com a dupla pluma,

Soberana da ventura,

Dotada de todas as virtudes,

Cuja voz enche de júbilo,

Graciosa senhora, plena de amor,

Cujos sentimentos enchem de alegria

o senhor dos Dois Países...

A grande e bem-amada esposa do rei,

Senhora dos Dois Países (cujo nome é)

"A bela veio" Para sempre viva.

sábado, 10 de novembro de 2012





“Ele encontrou-a enquanto ela dormia na beleza do seu palácio. Ela acordou com a fragrância do deus, a qual já tinha cheirado na presença de sua majestade. Ele dirigiu-se para ela imediatamente, “coivit cum ea”  (deitou-se com ela), impôs-lhe o seu desejo e provocou que ela o visse na sua forma de deus. Quando ele lhe apareceu, ela rejubilou perante a sua beleza e o seu amor passou para os seus membros, inundados pela fragrância do deus; todos estes odores provinham de Punt”

J.H.Breasted, Antigos relatos do Egipto, parte 2, capítulo 196

segunda-feira, 30 de julho de 2012



A andorinha canta: «Aurora,
Para onde se foi a aurora?»



Assim se vai também a minha noite feliz
O meu amor na cama ao meu lado.

Imagine-se a minha alegria ouvindo o seu murmúrio:
«Jamais te deixarei», disse-me.
«Com a tua mão na minha passearemos
Por todos os mais belos caminhos».
·Demais a mais ele quer que o mundo saiba
Que de entre todas as mulheres sou a primeira
E que o meu coração nunca mais há-de ficar triste.

Poemas de Amor do Antigo Egito

terça-feira, 24 de julho de 2012

Poemas do antigo Egito




I
Vem depressa para junto do teu amor,
Como o mensageiro real obedecendo à
Impaciência do seu amo - quer dizer, se
se acreditar, num mensageiro real.
Vem depressa,
Tens toda a coudelaria à disposição,
A carruagem pronta.
Nem o mais impetuoso dos cavalos
- Quando a encontrares -
Se aproximará da velocidade do teu coração.
II
Traz o teu ímpeto
À casa da tua amada,
Tu que és o orgulho da coudelaria do rei,
Escolhido de entre uma centena de puros-sangues,
Treinado com ração especial,
Que partes em galope sem igual
à mera menção da palavra estribo,
Sem mesmo o treinador
(Que é hitita)
Poder segurar-te.
Como ele conhece bem o coração dela
A que há-de ficar sempre ao seu lado.



III
Vem como a gazela do deserto
Obrigada a ziguezaguear em nervosa pressa
Atravessando os trilhos e voltando
Com medo do ganido dos cães e do caçador;
E que finalmente se decide por uma veloz linha recta
Com um olho no lugar deixado.
Estás a salvo dentro da casa da amada
Beijando-lhe as mãos, fazendo-lhe
A sincera proclamação do teu amor,
Fazes tudo isto
Tudo isto no interior da grande e pré-concebida organização
Da deusa do oiro

quarta-feira, 11 de julho de 2012



“Eu respiro o doce sopro,
Que sai da tua boca;
Eu vejo tua beleza, todo o dia;
É meu desejo ouvir a tua doce voz,
Semelhante ao vento do norte;
De sentir meus membros revigorados,
Pela tua vida e pelo teu amor.
Dá-me tuas mãos,
Que seguram teu espírito,
Que eu possa receber,
E viver por meio dele.
Chama meu nome à Eternidade,
E ele não perecerá jamais.”

Akhenaton

Papiro Harris 500



O papiro Harris 500 é um documento do Antigo Egito, que reúne vários textos literários, entre os que se encontram os poemas de amor egípcios mais antigos. É conservado no British Museum com o número 10060.


É um papiro de princípios da XIX dinastia egípcia (durante o reinado de Seti I ou Ramsés II)[3] que se encontra muito deteriorado. Os poemas têm defeitos, como lacunas e erros cometidos pelos escribas.

 


Mede 143,5 × 20,3 cm e está escrito em hierático pelas duas caras. Ambas as partes são divididas em oito colunas.





Contém três seções com poemas de amor.

Primeiro grupo

Trata-se de oito poesias sem ilação entre elas. Quatro delas estão postas na boca de uma jovem (1, 2, 4 e 8), e o restante na de um varão (3, 5, 6 e 7). Embora o título original deste grupo não se conserve, Siegfried Schott classifica-os conjuntamente sob o título Poder do amor.

Segundo grupo

Tem oito poesias com uma introdução comum e a mesma temática, embora também independentes. O seu título é Começo dos cantos amenos para o amante, o escolhido do seu coração, quando vem desde os campos abertos, também estão em palavras de uma jovem. Também figura o Canto do harpista, embora não seja uma canção de amor.

Terceiro grupo

Tem três poemas que começam com o nome de uma flor. Os dois primeiros estão completos, mas do último apenas ficam fragmentos.



"Eis que meus dois olhos possuem toda sua força de outrora e com minhas duas orelhas eu ouço as harmonias da Ordem divina. Como Rá, eu navego no Oceano celeste. Na verdade, eu não repetirei jamais o que eu ouvi; eu não contarei a ninguém o que eu vi nos lugares dos Mistérios... Eis que me saúdam com gritos de alegria e eu percorro triunfante o Oceano celeste...!"
(Livro Sagrado dos Mortos Egípcio - Cap.CXXXIII)

sábado, 7 de julho de 2012

Poema 5 do segundo conjunto de poemas do papiro Harris 500



"Ó tu, dentre os jovens o mais belo,
vem-me o desejo de cuidar de tuas coisas
como dona de tua casa,
com o teu braço no meu braço,
servindo-te meu amor.
A meu coração peço, dentro de mim,
com o desejo de quem ama:
'Ó, que eu o tenha como esposo esta noite,
sem ele sou como alguém no túmulo!'
Não és para mim a saúde e a vida?
Meu coração procura-te
e regozija-se com o teu bem-estar."

quarta-feira, 27 de junho de 2012



De que vale estar ricamente vestido, se alguém se comporta como um fraudador diante de Deus? A faiança disfarçada em ouro se torna chumbo quando a luz nela bate.

Não construas um barco pensando unicamente em dele tirar proveito. Pede o preço da passagem ao rico e faz passar gratuitamente o pobre.

Não dissocies teu coração de tua língua. Assim todas as tuas empresas chegarão a bom termo

Mantém a firmeza de coração. Fortalece-o. Não conduzas o navio com tua língua. Embora a língua do homem possa tornar-se o leme do barco, é o senhor da totalidade que deve ser seu piloto.

(Amenemope - 984 a.C.) 

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Silêncio



O irriquieto no templo
se assemelha a uma árvore
crescendo em lugar fechado.
O brotar de seus ramos
não dura mais que um breve instante,
e termina nas mãos do lenhador.
É transportada por mar para longe
de seu devido lugar,
e a chama é sua mortalha.
O verdadeiro silencioso,
que se mantém de lado,
se assemelha a uma árvore crescida em campo aberto.
Ele floresce,
dobra a sua produção
e se ergue diante de seu mestre.
Seus frutos são doces,
sua sombra deliciosa.
Ele vai até o fim
dentro de seu próprio jardim.

Amenemope 

Eu subi como uma andorinha
E voei como um falcão.
Eu fui levado em direção ao lugar em que se encontra a justiça, E voei em direção aos bem-aventurados em forma de andorinha.
As andorinhas são as estrelas imperecíveis
Que dão ao Faraó a árvore da vida de que elas vivem.
(Texto das pirâmides 1770a, Texto dos sarcófagos, cap. 205)

As estrelas



Eu subirei ao espaço luminoso,

Eu atravessarei o espírito da Terrra,
Eu caminharei na Luz
Eu atingirei a Estrela
(Texto dos Sarcófagos, capítulo 545)

Possa tu subir,

Possas tu te elevar em direção ao céu sob a forma de uma grande estrela que está no meio do Oriente. (Textos das Pirâmides)

Tu és, sem dúvida, esta estrela posta no mundo pelo Ocidente e não hás de perecer


(Texto dos sarcófagos)




O rosto do ressurecto está aberto.
Ele vê o senhor do país da Luz quando ele percorre o firmamento.
Ele o faz aparecer como o deus grande,
Senhor da eternidade,
Estrela imperecível.
(Texto dos sarcófagos, cap. 788)

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Sabedoria Egípcia - A Energia Celeste e as Estrelas


A Energia celeste

Ó você, que se encontra no oceano de energia,

Nas vizinhanças do céu,
Prepare a Barca para que eu chegue ao país da Luz
(Textos dos sarcófagos)

Eu sou o deus grande,

Vindo à existência por mim mesmo.
Quem ém ele?
A energia.
O oceano de energia primordial,
O pai dos deuses
(Tumba da rainha Nefertari)

Eu sou o Sul,

Eu sou o Norte,
Eu sou o Leste,
Eu sou o Oeste,
Eu sou o Senhor do Universo.
Eu saí do oceano de energia primordial ao mesmo tempo que a luz divina.
(Livro segundo das respirações)

Eu sou um seguidor da luz divina,

Alguém que tomou posse do céu.
Eu vim a ti, Râ, meu pai, Luz divina.
Eu percorri o espaço luminoso,
Eu invoquei a Grande (o céu)
Eu fiz a viagem do Verbo,
Cruzei em solidão as trevas
 que se encontram no caminho da luz divina.
Tomei posse do céu

Livro para sair à Luz, Capítulo 131



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Poemas de Amor no Antigo Egipto



I
Vem depressa para junto do teu amor,
Como o mensageiro real obedecendo à
Impaciência do seu amo - quer dizer, se
se acreditar, num mensageiro real.
Vem depressa,
Tens toda a coudelaria à disposição,
A carruagem pronta.
Nem o mais impetuoso dos cavalos
- Quando a encontrares -
Se aproximará da velocidade do teu coração.
II
Traz o teu ímpeto
À casa da tua amada,
Tu que és o orgulho da coudelaria do rei,
Escolhido de entre uma centena de puros-sangues,
Treinado com ração especial,
Que partes em galope sem igual
à mera menção da palavra estribo,
Sem mesmo o treinador
(Que é hitita)
Poder segurar-te.
Como ele conhece bem o coração dela
A que há-de ficar sempre ao seu lado.
III
Vem como a gazela do deserto
Obrigada a ziguezaguear em nervosa pressa
Atravessando os trilhos e voltando
Com medo do ganido dos cães e do caçador;
E que finalmente se decide por uma veloz linha recta
Com um olho no lugar deixado.
Estás a salvo dentro da casa da amada
Beijando-lhe as mãos, fazendo-lhe
A sincera proclamação do teu amor,
Fazes tudo isto
Tudo isto no interior da grande e pré-concebida organização
Da deusa do oiro.